Prometi para mim mesma meses atrás, que procuraria fazer coisas para eu mesma. Sem me focar se vou ou não ter retorno, sendo coisas virtuais ou não. Acredito que eu tenha começado esse foco na esfera virtual, para fazer as pazes com o mundo virtual de uma certa forma e isso tem funcionado de uma certa maneira. Uns dois meses atrás eu ganhei um caderno, caneta nanquim e uma mini câmera do meu companheiro e eu ainda não sei o que fazer com as duas coisas.
Eu parei meu Bujo de polaroids e nem comecei o meu novo Bujo de recortes, algo que me deixaria entristecida meses atrás. No entanto, minha percepção sobre as coisas mudou e estou até me reeducando a não me cobrar tanto por perfeição! Mas isso não é de hoje, como já falei anteriormente (aqui e aqui), não curto ter uma vida performática, vi muita gente desistindo de blogar por achar que não tem nada de interessante para postar, já que "nada acontece" em suas vidas. Mas vou contar o que de fato, me fez repensar minha forma de consumir redes sociais inicialmente, não é uma receita de bolo pronta e infalível, e sim o resultado de um tempo de tentativa e erro, mas vale a reflexão.
Eu comprava de uma loja havia um tempo e seguia a dona por curtir a estética dela, até aí tudo normal, afinal, pessoas alternativas se inspiram em outras. Mas em uma das compras que fiz (a última, em 2022), decidi fazer algo que nunca tinha feito, digitei o endereço dela no Google Maps, já que sabia que ela trabalhava em casa. O que vi me surpreendeu: ela morava na periferia. - Nada de anormal, certo? Pois bem, ela publicava o que consumia e os lugares que frequentava, produtos originais de marcas de luxo, ambientes claramente voltados para pessoas de alto padrão, fotografias em frente a imóveis dentro de condomínios... Não vejo problema no consumo ou nos lugares que ela frequentava, ela trabalhava para isso e tinha todo o direito, o problema era a vida que ela vendia virtualmente! Ali eu parei de segui-la e aos poucos, deixei de seguir muita gente. Independentemente do grau de intimidade que eu tinha com a pessoa, eu não conseguia mais colocar uma lente colorida diante da mentira.
Não há problema nenhum em ter uma vida monótona, antigamente tanto nos blogs quanto no próprio Instagram, as pessoas mostravam suas vidas simples fosse em um texto com a fonte padrão em um layout simples, fosse com um filtro amarelo em alguma foto mal alinhada. Isso que era o legal! Não tinha essa coisa de "não tenho nada de interessante para escrever ou fotografar", a gente ia lá apenas fazia e tudo certo! Acredito que, muitas vezes estamos tão condicionados a certas coisas, que ao invés de mudarmos e assumirmos a responsabilidade, preferimos terceiriza-la. Mudar não é simples, mas não dá para ficar reclamando da performance alheia, se você mesmo espera algo espetacular acontecer para poder escrever ou fotografar. A nossa vida está acontecendo AGORA, não na data marcada daquele evento que vai acontecer daqui a alguns meses até porque o evento pode ser cancelado, e você não viveu o hoje porque se comparou a alguém que nem sabe que você existe! E quando sabe, só espera você postar ao invés de mandar uma mensagem perguntando como você está. Essa pessoa também se compara aos outros, incluindo você!
| As fotos não saem boas, eu tenho essa câmera que é baratinha e as fotos saem melhores |
Enfim, é isso!
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