Já escrevi dezenas de vezes sobre saúde mental não apenas atualmente no meu antigo blog, mas no meu finado Madchen Rosenrot. Esses dias ando vivenciando a minha depressão de forma distinta, aprendendo a conviver melhor com ela. Não que eu aceite minha condição e prefira ficar estagnada, mas estou aprendendo a viver no presente e isso, de alguma maneira, anda ajudando aos poucos (bem aos poucos) a regular minhas emoções.
Tenho a consciência de que cada pessoa vivencia suas emoções de forma individual, mas acredito que falar sobre isso (nem que seja para si mesmo) ajuda e muito!
Porque meus monstros são reais, e eles são treinados para matar E não há volta, e eles apenas riem de como eu me sinto E esses monstros podem lutar, e nunca irão morrer E não há como voltar atrás; se eu ficar presa, nunca vou me curar — Monsters (Shinedown)
Li certa vez que não adianta um profissional de saúde mental aplicar técnicas sem um fundamento, sem conhecer de fato o paciente a fundo, e isso é a mais pura verdade. Eu sou apoiadora da terapia, mas também já fui vítima de péssimos profissionais! Para mim, aplicar técnica de respiração ou de mindset sem me explicar o porquê de estar fazendo aquilo não adianta em nada. Na internação que tive (que este mês faz um ano que aconteceu), quando questionei a psicóloga sobre as atividades de pintura e desenho pois nos largavam lá para pintar qualquer coisa sem explicar nada, fui chamada de imatura por questioná-la. E a terapia é sobre isso: questionar. Sim, questionar o que o profissional está aplicando faz parte do processo.
Convivo com a depressão desde os meus 16 anos, para ser mais exata que foi quando ela ficou evidente para mim e tentei procurar ajuda. Mas percebi que algo não estava bem comigo já aos doze anos, quando lidei pela primeira vez com esse tipo de sentimento ao ler a letra traduzida de uma das músicas do Silverchair em uma revista especializada.
Acredito que, para além de técnica e acolhimento (rede de apoio), a compreensão, a consciência e o autoconhecimento são essenciais para lidar com a depressão ou qualquer questão de saúde mental. Não vou entrar no mérito de certas questões sociais, pois este texto trata da pessoa que vos fala e não posso falar por todo mundo, mas um profissional sem consciência de classe e de questões étnicas não está preparado para cuidar da saúde mental de ninguém.
Uma coisa que aprendi com o tempo é que, se um profissional mistura sua vida pessoal com sua narrativa profissional, ele não está apto para cuidar de você. Isso vale para as redes sociais. Não o impede de ter um perfil, mas o pessoal deve ser uma conta e o profissional, outra. Ou você acha que um profissional que te atende e está mais inclinado a ser influencer do que terapeuta vai ter tempo de ler e estudar para estar sempre atualizado e qualificado para sanar as demandas de seus pacientes? Não, vai por mim. Por experiência própria (e não foi uma única experiência), ele não vai.
Acredito que, ao contrário de um passado não muito distante, eu deixei de ser uma depressiva funcional e vi como isso me prejudicava. Compreendi que nem todo profissional está interessado em te ajudar ou é apto para isso. Percebi que, quanto mais terapia você faz, mais as pessoas se afastam. Quando elas percebem que você é humana e fala abertamente sobre as partes não tão boas da sua vida, elas também se afastam. Você para de aceitar qualquer coisa, e isso faz parte do processo. Várias despedidas, várias mudanças de hábitos e gostos... e você vai percebendo quem você realmente é. E isso é assustador, pois esse processo requer vontade de mudar e aceitação, e não é fácil.
Mas admito uma coisa: quando eu ainda estava lidando sozinha com as minhas demandas, quando eu não tinha acesso à terapia, a música ajudou um tanto para que eu compreendesse o que estava sentindo. E isso me atravessa até hoje.

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