Pensei muito se escreveria sobre esse fato tão pessoal, que envolve uma pessoa que nem está mais entre nós! Para embasar o que vou relatar, vou citar o acontecido, mas me abstendo de entrar em detalhes profundos. Faz 16 anos que perdi uma amiga querida em um acidente de moto, uma pessoa no alto dos seus 19 anos recém completados... isso me deixou extremamente mexida. Uma paixão que nos uniu também nos separou: o motociclismo.
Fiquei ANOS sem subir em uma motocicleta, voltando a fazer isso apenas em dezembro de 2024, a partir daí, passei a consumir mais conteúdo sobre o tema, até mesmo para reaprender. Por conta da perda, algo que sempre foi do meu interesse desde criança tinha perdido a graça, já que eu não tinha mais a minha irmã de coração para compartilhar. O meio motociclista ainda é predominantemente masculino, mas criadoras de conteúdo como a Nezian Costa andam abrindo espaço para que mais mulheres compreendam, se sintam pertencentes e possam movimentar as suas paixões.
Por mais que eu escreva este conteúdo em um blog ou diário virtual, o assunto é sobre a vida real! Hoje eu tenho uma rede de apoio, mas quantas mulheres ainda não possuem e são ignoradas? Estou estudando para ver se entro em um MC (Moto Clube) feminino, mas as opiniões sobre o meio variam muito e isso me deixa receosa. Penso: se eu tiver uma crise de depressão, ansiedade ou até mesmo pânico justo no dia de um evento ou ação social, serei acolhida? Eu tenho traumas e isso é um fato. Não falo somente sobre o racismo direcionado, mas também sobre o racismo estrutural e o machismo reproduzido por muitas mulheres (o que é muito triste).
Desde que adquiri uma nova moto, penso nessa minha amiga querida. Ela seria a pessoa que mais me apoiaria verdadeiramente nessa jornada, quando penso em desistir é nela que eu penso! No final de semana passado após quase um ano sem pilotar, resolvi subir na moto, foi uma sensação leve. Confesso que ainda tenho medo e sei que andar de moto requer cuidado dobrado, mas ao mesmo tempo, senti que evoluí mais um pouquinho... E é disso que são feitas as conquistas: de passos miudinhos e sem muita regra.
Tive uma crise de ansiedade no começo da semana, antes da consulta com a minha psiquiatra, foi bem ruim, me fechei no escritório para rascunhar esta postagem. Estou seguindo outras mulheres bikers para me inspirar e sinceramente? Estou gostando do que vejo, acredito que as redes sociais não precisam ser tóxicas se soubermos escolher o que consumimos sim, porque isso é única e exclusivamente responsabilidade nossa! Quem sabe esse tipo de conteúdo não me dá mais coragem para procurar o MC de mulheres e ingressar, por mais que haja opiniões negativas a respeito?
Não posso medir a minha experiência pela régua dos outros! Quem sabe sendo honesta sobre as minhas condições, eu não possa ser acolhida e deixar para trás um passado de amizades e vínculos disfuncionais? Porque sim, isso é uma escolha e responsabilidade minha! Se eu perceber que não estou sendo acolhida e que as regras não são seguidas à risca, pego o meu caminho da roça e vou-me embora com minhas bandanas e panos de bunda. Isso pode implicar muitas coisas, mas nunca vou saber se não tentar, isso é um fato!
A saudade permanece, mas a lição que essa amiga querida me deixou também ficou: ser dona de si, ir com retidão em direção aos objetivos, juntar-se apenas com quem agrega e quer agregar, com quem tem propósito. E o mais importante: ela me enxergava e me tratava como igual, mesmo dentro dos seus privilégios como mulher branca!
Nesse diário de uma alternativa, talvez haja muitas reflexões sobre a estrada e o aprendizado biker, mas, acima de tudo, sobre recomeços!
Diário de uma alternativa #01
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