O Dia dos Namorados quase está aí, então pensei em escrever sobre relacionamento saudável. Não sou a sabedora de todas as coisas, mas quero que você saiba que esse tipo de relacionamento existe, sim. Não estou passando pano para ninguém, e caso você queira um conteúdo bacana de uma psicóloga sobre o tema, recomendo a @psi.val.andrade. Mencionado isso, vamos ao texto.
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É fato: ninguém é essencial para a nossa sobrevivência a não ser nós mesmas! Mas, quando encontramos alguém disposto a partilhar a vida, percebemos que não precisamos ultrapassar tudo sozinhas e sem rede de apoio. Não estou dizendo que você não deva priorizar seu relacionamento amoroso (seja ele qual for), mas compreender que somos essenciais para nós mesmas, faz com que encontremos quem queira compartilhar conosco de forma íntegra, respeitosa e compromissada os desafios do dia a dia a dois.
Não estou aqui para expor meu relacionamento de 16 anos, mas para relatar o que me trouxe, mesmo que de forma torta, à paz do que é ter uma relação saudável e recíproca (a dois ou a três, dependendo de quem lê). Sabe, não é apenas de trivialidades que sobrevive este blog!Primeiro, eu fui ensinada a não me amar! Fui ensinada a vivenciar relacionamentos mantidos por comodismo, violência, falta de respeito, de responsabilidade afetiva e de reciprocidade. Afinal, não é só de amor que vive uma união o amor muitas vezes, mata!
Aprendi que, por ser quem eu era (uma mulher preta), eu não merecia ter escolhas e não merecia ser escolhida. Sempre ficava por último na maioria das vezes, ficava de vela e era a sombra das minhas amigas. Aprendi que minha pele era feia, que por ser franca eu era uma mulher "difícil" e que deveria ser mais dócil, engolindo minhas dores porque eu estava sendo "exagerada" e "vitimista". Fui traída, subjugada, objetificada, preterida e tentei me moldar.
Quando alguém me valorizava (seja da maneira que fosse), dizendo que meu sorriso era bonito, que eu sabia me comunicar, que minha pele era linda e que eu era inteligente, eu não acreditava. Quando alguém se declarava, eu não acreditava. Vivia com medo de me relacionar, com a súbita ideia de que o amor não era para uma mulher negra, de que as pessoas não deveriam se misturar. Se eu ficasse com um homem branco, era vista como palmiteira, então muitas vezes ao receber a investida de um cara branco, eu me retraía. Mas em muitas outras vezes, eu era rejeitada até mesmo por homens da minha cor e eu ficava confusa!
Precisei cuidar de mim para entender o que era ser cuidada, celebrada e amada de verdade. Compreendi que em um relacionamento saudável, a pessoa te aceita como você é. Quando os defeitos vêm à tona (pois todos nós temos), ambos tentam conciliar as diferenças, ambos procuram terapia, ambos fazem o mínimo sem parecer que estão fazendo o máximo, ambos abraçam a singularidade. Um vínculo saudável não te dá ansiedade, medo ou vontade de morrer, não te desestabiliza, não tira sua autenticidade nem sua autonomia. É sempre lado a lado e não uma competição para ver quem chega primeiro.
Mas eu tive que aprender o que era o desprezo e tive que entender que eu deveria ser aquela a quebrar os ciclos familiares e ancestrais para chegar onde estou. Me desfiz de vínculos para me manter de pé (nem todo mundo torce por você) e tive que lutar contra o luto, pois não pude compartilhar minhas vitórias diárias com quem me amava e partiu precocemente.
Amar e ter um relacionamento saudável envolve quebrar estigmas familiares e sociais, quebrar padrões fraternos, maternos e paternos que perduram por gerações. É compreender que solidão e solitude não são a mesma coisa. É compreender que tudo depende de você, mas nem sempre precisa depender!
É fazer terapia e se compreender como inteira!

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